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Exagero em proteína pode causar alteração tumoral, diz estudo

Data: 06/02/18
O aumento na ingestão de proteínas é um hábito muito comum para pessoas que começam a praticar atividade física ou querem perder peso. Várias dietas populares sugestionam esse consumo em detrimento dos carboidratos, causando um desequilíbrio nutricional. Dentre as consequências dessa dieta, a sobrecarga proteica no intestino pode levar à formação de células tumorais e, potencialmente, ao câncer do colón de intestino. Essa é uma das conclusões dos estudos conduzidos no Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Atividade Motora da EEFE em parceria com o Agro Paris Tech.
 
Os resultados desses trabalhos estão descritos em um compilado de 83 pesquisas realizadas desde 2013 sob orientação do Prof. Dr. Antonio Herbert Lancha Jr., no Brasil, e do Prof. Dr. François Blachier, na França.  O artigo foi publicado em janeiro deste ano na Revista Nutrire, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. 
 
O Prof. Lancha Jr. explica que o excesso de proteína na alimentação provoca uma sobrecarga na capacidade digestiva, o que leva ao acúmulo de proteínas intactas no intestino. Isso causa modificações nas bactérias intestinais, que passam a produzir gases também modificados. Esses gases geram a respostas inflamatórias do intestino, o que pode evoluir para a superexposição do órgão a situações de risco e a modificações cancerígenas. O docente explica que a quantidade recomendada de ingestão diária nos humanos é de, no máximo, 2g de proteína por quilo de peso corporal.
 
Outra conclusão dos estudos relaciona atividade física à maior proteção intestinal. “A atividade física leva a uma mudança positiva da população bacteriana intestinal, fazendo com os processos inflamatórios sejam de menor duração e em menor escala.  Isso não quer dizer que as lesões e inflamações deixarão de acontecer, apenas que a reparação das células acontece de forma mais acelerada”, afirma o docente. Ele acrescenta que essa proteção permanece enquanto a pessoa for ativa – ou seja, a partir do momento que o indivíduo volta a ser sedentário, ele passa gradativamente a perder essa proteção. 
 
Até agora, a maioria dos estudos conduzidos pelo grupo foi feita no modelo animal, e a perspectiva é ampliar as pesquisas com humanos. O objetivo de um dos trabalhos em andamento, realizado pela mestranda Ayane de Sá Resende, é verificar como a saúde intestinal bacteriana de pessoas sedentárias se modifica quando os indivíduos são submetidos ao treinamento. Em outro estudo, da doutoranda Geovana da Silva Fogaça Leite, induz-se uma modificação das bactérias intestinais em indivíduos ativos por meio do uso de probióticos a fim de analisar como isso se relaciona aos processos inflamatórios. Outros tópicos sob investigação são a relação da saúde intestinal com a suplementação nutricional e qual o melhor tipo, intensidade e duração de exercício físico para a obtenção dos benefícios apontados.
 
Texto: Paula Bassi
 
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