Ginástica para o cérebro: idosos ativos apresentam volume cerebral maior que sedentários

Idosos ativos apresentam maior volume em determinadas áreas e estruturas cerebrais que idosos sedentários. Essa constatação foi feita por estudo realizado na EEFE-USP a partir de dados obtidos por meio de testes e exames em pessoas entre 60 e 65 anos. Foram analisadas 71 áreas e estruturas cerebrais, das quais 48 apresentaram volume absoluto ou relativo (% do volume intracraniano) significativamente maior nos voluntários que praticavam, pelo menos, 150 minutos de Atividade Física Moderada-Vigorosa por semana. 

Idosos ativos demonstraram volume cerebral  significativamente maior nos voluntários que sedentários. Foto: Paula Bassi

 O trabalho é de autoria principal do doutor pela EEFE Lucas Melo Neves, sob orientação do Prof. Dr. Carlos Ugrinowitsch. Participaram do estudo 45 pessoas, sendo sete homens e 38 mulheres. Os voluntários não estavam engajados em qualquer programa de exercícios físicos há, pelo menos, seis meses. Eles mantiveram suas rotinas, sendo que seus níveis de atividade física foram averiguados por meio de um acelerômetro usado por sete dias consecutivos durante, no mínimo, 600 minutos diários (10 horas).

Ressonância Magnética

Dentre os participantes do estudo, 25 idosos mostraram-se ativos. Isso quer dizer que, embora não participassem de programas estruturados como musculação ou hidroginástica, acabavam atingindo a marca de 150 minutos diários de Atividade Física Moderada-Vigorosa ao longo de suas ações rotineiras. Por meio de exame de ressonância magnética de crânio, observou-se que 39 estruturas e 9 áreas cerebrais eram maiores nesses idosos que levavam uma vida ativa. 

Imagem de exame de ressonância de um dos participantes do estudo. 

Segundo o autor do estudo, a descoberta é bastante relevante na busca pelo envelhecimento saudável, pois, normalmente, o volume cerebral diminui a uma taxa de 5,0% por década após os 60 anos de idade. A atrofia cerebral maior do que a esperada pela idade está associada a doenças relacionadas à cognição, como comprometimento cognitivo leve e demência. Consequentemente, uma redução no volume cerebral tem sido usada como um marcador da saúde cognitiva em idosos. A diminuição do volume cerebral também tem sido associada à piora do equilíbrio e do desempenho na memória. 

 “Vários estudos já haviam mostrado que um maior nível de atividade física afetava dez estruturas do cérebro mais ou menos. Com o auxílio de novas tecnologias, nós conseguimos mapear todas as estruturas do encéfalo de forma automatizada e confiável. Desta forma, mostramos que não apenas dez estruturas, mas 39 estruturas são maiores em idosos ativos”, comenta o autor principal do estudo.

Com o auxílio de novas tecnologias, foi possível mapear todas as estruturas do encéfalo de forma automatizada e confiável. 

 As áreas que apresentaram maior volume foram: Encéfalo total (6,7%), lobo frontal (8,2%), lobo temporal (10,1%), Lobo parietal (9,3%), lobo occipital (9,5%) e substância cinzenta cortical (9,0%). Quantos às estruturas com maior diferença percentual: Cortex entorrinal (12,5%), Parahipocampo (16,3%), hipocampo (7,8%) e Lingual (10,3%). 

Resultados em periódico internacional

Os resultados da pesquisa foram publicados em artigo intitulado “Objective physical activity accumulation and brain volume in older adults: An MRI and whole brain volume study”, na revista científica Journals of Gerontology - Series A Biological Sciences and Medical Sciences. Mais informações: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35857361/