Prescrição de treinamento de força para idosos deve considerar respostas individuais

A busca por formas de atenuar os declínios morfológicos e funcionais associados ao envelhecimento tem sido um desafio para a comunidade científica. A perda da massa muscular, chamada de sarcopenia, é um elemento importante desse quadro, sendo um dos principais fatores associados à diminuição dos níveis de funcionalidade e contribuindo para a fragilidade e mortalidade da população idosa. 

Uma das ferramentas para atenuar os efeitos deletérios do envelhecimento é o treinamento de força,  considerado um potente estímulo para aumentar a massa muscular nessa população. Porém, nem todos os indivíduos respondem igualmente a um mesmo protocolo. Enquanto algumas pessoas apresentam aumentos expressivos da massa muscular, outras não são responsivos à intervenção. Alguns estudos sugerem que mudanças no estímulo de exercício podem levar a uma resposta positiva nesse último grupo, promovendo, dessa forma, ganhos de massa muscular nesses indivíduos.


Idoso recebendo orientação de treinamento de força na EEFE

Em sua tese de doutorado, Manoel Lixandrão, orientado pelo Prof. Dr. Hamilton Roschel, investigou essa diferença de resposta ao treinamento de força entre os indivíduos. Para isso, recrutou 83 voluntários acima de 65 anos, de ambos os sexos. Durante 10 semanas, essas pessoas participaram de sessões de treinamento de força na EEFE-USP. 

O volume do exercício - ou seja, o número de séries praticado em cada sessão - foi manipulado para todos os indivíduos da pesquisa. Com essa modulação, observou-se um aumento tanto da magnitude da resposta hipertrófica quanto uma diminuição do número de indivíduos pouco-responsivos (~80%), favorecendo o protocolo de treinamento de força de maior volume. Entretanto, é importante notar que alguns indivíduos responderam melhor, apresentando ganhos superiores de massa muscular, ao protocolo de menor volume.

A melhora também pôde ser observada nos mecanismos moleculares envolvidos. O pesquisador explica que “durante uma sessão de exercício, as contrações musculares levam à ativação de vias e mecanismos responsáveis por aumentar a taxa de síntese proteica, que é importante para a hipertrofia muscular. Entre essas vias, destacam-se a síntese de ribossomos e o aumento desses no músculo esquelético, haja vista que essas organelas são responsáveis por sintetizar proteínas no músculo esquelético, favorecendo uma resposta hipertrófica”.


Idoso recebendo orientação de treinamento de força na EEFE

O estudo sugere que a prescrição do treinamento de força em idosos deve ser realizada de maneira individualizada, em especial no que diz respeito ao volume de exercício, para que, assim, se otimizem os ganhos de massa muscular nessa população.

“Os profissionais devem monitorar seus alunos, identificando aqueles não responsivos ao treinamento e adequar o estímulo de exercício. Os resultados demonstraram que aumentar o volume de exercício pode ser uma estratégia interessante; porém, os profissionais devem se assegurar que as mudanças desencadeiam as adaptações desejadas, do contrário, novas manipulações podem ser necessárias”, complementa Lixandrão. 

Voluntária participante de estudo no Laboratório de Adaptação ao Treinamento de Força da EEFE

O estudo foi realizado no Laboratório de Adaptação ao Treinamento de Força da EEFE, cujos projetos buscam otimizar a prescrição de exercícios para diferentes populações. A pesquisa obteve financiamento Capes, Fapesp e CNPq.