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Prof. Dr. Marco Fabio Coghi

Químico, fisioterapeuta, pesquisador e Professor Convidado da pós-graduação da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID); do Curso de Especialização em Medicina Comportamental (UNIFESP – coordenação do Prof. Dr. José Roberto Leite); do Curso de Gerenciamento de Stress, do International Stress Management Association (ISMA); do Curso de Neuropsicologia Aplicada a Reabilitação (coordenação Dra. Livia Stocco Sanches Valentin).

Como posso aumentar meu desempenho no Esporte?

O treinamento com biofeedback cardíaco permitiu ao time e seus participantes de forma volitiva o autocontrole; melhora da autoconsciência, autocontrole, redução dos efeitos do estresse físico e mental.

O uso do biofeedback cardíaco pode ser a solução: é uma maneira simples e cientificamente comprovada.

Autor: Dr. Marco Fabio Coghi

 

Neste artigo conversaremos um pouco sobre o uso do biofeedback cardíaco para aumento de desempenho atlético especificamente de jogadoras de vôlei.

Estudo realizado em 2008 por Cynthia J. Tanis em sua dissertação para obtenção do grau de doutor na Capella University, Flórida, demonstrou os efeitos positivos que treinamento realizado com biofeedback cardíaco exerce no desempenho cognitivo, emocional e psicossocial de jogadoras de universitárias de vôlei.

O objetivo do estudo era avaliar o efeito do treinamento com a técnica de biofeedback cardíaco, também conhecido como biofeedback da variabilidade da frequência cardíaca (HRV – Heart Rate Variability, do Inglês), no desempenho de jogadoras de vôlei. Para tal, recrutou 13 atletas universitárias que durante seis sessões semanas consecutivas realizaram treinamento usando o biofeedback cardíaco.

O protocolo utilizado constava da leitura de informações básicas do que é coerência cardíaca, estabelecimento da linha de base da atleta monitorado pelo aparelho de biofeedback, explicação dos atributos da tela do computador e realização de treinamento na frequência de ressonância cardiovascular indicada pelo aparelho.

Coerência cardíaca é um estado de equilíbrio do sistema nervoso autônomo que favorece a estabilização das emoções, relacionamentos sociais e de parâmetros fisiológicos. Esse estado é observado num gráfico de batimentos cardíacos versus tempo onde aparecem ondas cardíacas harmônicas, em forma de sino, simétricas e equilibradas, assumindo o lugar de um padrão anterior de batimentos caóticos.

Quando a pessoa se encontra com o sistema nervoso autônomo equilibrado, atua num importante parâmetro cardíaco, o HRV, aumentando seu valor. A baixa variabilidade está associada a uma condição de perigo de saúde física e psicológica que envolve desde morte súbita, problemas das coronárias, hipertensão arterial, asma, dor crônica, até problemas psicoemocionais como stress, ansiedade, depressão, pânico.

Segundo Tamis, “quando o ritmo cardíaco mostra um padrão suave e consistente na tela do computador, é referido como coerência; quanto maior a coerência, maior o equilíbrio. Pesquisas mostram que… com a regulação emocional, a coerência é mantida e rapidamente acessível pela vontade. Quando a coerência fisiológica é direcionada pelo estado emocional positivo, é  chamada de coerência psicofisiológica”.

O equipamento de biofeedback cardíaco, que consiste num sensor não invasivo acoplado a um computador doméstico, permite que a pessoa verifique como estão seus batimentos cardíacos em tempo real e faça treinamentos para aumentar a variabilidade favorecendo, assim, o equilíbrio do sistema nervoso autônomo, propiciando sua autorregulação fisiológica. Esse treinamento faz com que a pessoa aumente seu tônus cardíaco, torne-se mais resiliente, combata a ansiedade e o stress pré-competitivos, aumente o conforto de grupos propiciando a formação de verdadeiras equipes.

O estudo concluiu que o treinamento com biofeedback cardíaco permitiu ao time e seus participantes de forma volitiva o autocontrole; que houve aprendizagem sobre a técnica de biofeedback e autorregulação fisiológica. Comprovou-se o aumento da autoconsciência, autocontrole, redução dos efeitos do estresse físico e mental relativo aos rigores acadêmicos e atléticos. Melhorou o desempenho acadêmico e atlético, a compostura e camaradagem da equipe. Os resultados demonstram o potencial do biofeedback cardíaco para melhorar o desempenho acadêmico e atlético em esportes universitários.

No Brasil, a empresa NPT – Neuropsicotronics (www.cardioEmotion.com.br) estabelecida no centro de inovação da Universidade de São Paulo produz e comercializa o kit de biofeedback cardioEmotion para atletas e para profissionais da área da Saúde. Vários clubes desportivos, atletas de alto desempenho, psicólogos e profissionais de educação física estão usando o biofeedback cardioEmotion no treinamento para alto rendimento.

O biofeedback cardíaco é, portanto, uma maneira simples e direta de monitorar o estado inicial do atleta, bem como aumentar seu equilíbrio psicoemocional. Isto se dá por meio de exercícios lúdicos orientados pelo próprio aparelho, capacitando-o a reduzir o stress e ansiedade pré-competitivos, de forma natural. Outros estudos têm demostrado que treinamento realizado no estado de coerência cardíaca e monitorado pelo biofeedback é um poderoso auxiliar na formação de verdadeiras equipes, aumento da autoconfiança do atleta e melhora psicomotora.

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