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Equipe Lapse

Suicídio entre jovens é um problema de saúde pública no Brasil

a rede pública de saúde, principalmente no Brasil, tem poucos serviços e o profissional de forma geral é pouco capacitado no assunto. “O suicídio não deveria ser um assunto exclusivo da psiquiatria. A formação dos profissionais da saúde deveria focar a prevenção e como lidar com alguém que tentou ou que tem a ideia de querer suicidar-se ou machucar-se. Ainda temos um tabu muito grande sobre esse assunto, mesmo entre os profissionais de saúde.” segundo o psiquiatra assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, Cristiano Cardoso Moreira

http://jornal.usp.br/atualidades/suicidio-entre-jovens-e-um-problema-de-saude-publica-no-brasil

Aumento nos últimos 24 anos foi de 27,2% e as drogas estão entre os principais fatores de risco

Para o psiquiatra assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, Cristiano Cardoso Moreira, o aumento do suicídio na população jovem hoje é um fenômeno mundial e uma questão de saúde pública. O psiquiatra afirma que atualmente um dos principais fatores de risco para o suicídio é o consumo de drogas. “Existe uma ligação muito grande entre  o aumento de suicídio e o aumento do consumo de drogas e também do bullying.”

Dados divulgados recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil é o país com maior número de pessoas com transtorno de ansiedade e o quinto em número de pessoas com depressão.

E um dos resultados desses recordes é outro número assustador. A BBC Brasil divulgou, recentemente, que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens no País aumentou 27,2%.

Segundo o médico Cristiano Cardoso Moreira, o estilo de vida atual, como o maior acesso a meios letais, como medicamentos e armas, facilita de alguma forma comportamentos como o suicídio. “As pessoas estão cada vez mais individualizadas e se juntam em grupos e redes que autoalimentam esse pensamento de morte e deixam os jovens mais vulneráveis à questão do suicídio.”

Para o médico, a rede social pode ser usada tanto para o bem, como encontrar profissionais para ajudá-los, como para o mal, quando da inserção em grupos que induzem o jovem a ter atitudes autodestrutivas. Moreira lembra que os jogos virtuais que ganharam os noticiários nos últimos dias atingem pessoas que já se encontram em vulnerabilidade e aquelas que estão em situação de risco, como pessoas com depressão.

Para o psiquiatra, é importante que os pais saibam o que os filhos estão fazendo na internet e fiquem atentos a comportamentos de isolamento e a mudanças abruptas de atitudes, por exemplo. “Os pais hoje estão correndo muito e não vendo o que os filhos estão fazendo, especialmente na internet.” Lembrou que é possível prevenir o suicídio, observando o comportamento dos jovens e incentivando-os a buscar ajuda: “90% dos suicídios têm ligação com algum transtorno mental passível de tratamento”.

Para o profissional, a rede pública de saúde, principalmente no Brasil, tem poucos serviços e o profissional de forma geral é pouco capacitado no assunto. “O suicídio não deveria ser um assunto exclusivo da psiquiatria. A formação dos profissionais da saúde deveria focar a prevenção e como lidar com alguém que tentou ou que tem a ideia de querer suicidar-se ou machucar-se. Ainda temos um tabu muito grande sobre esse assunto, mesmo entre os profissionais de saúde.”

corroborando um dado preocupante segundo artigo de LITZA MATTOS

http://www.otempo.com.br/interessa/a-cada-45-minutos-uma-pessoa-se-suicida-no-pa%C3%ADs-1.1320160

Para algumas pessoas, viver torna-se um fardo tão pesado e angustiante que a morte se torna a única saída para uma situação de sofrimento intolerável. Esse sentimento tem feito com que no Brasil, em média, três pessoas tentem se matar a cada 45 minutos. No mesmo intervalo de tempo, uma delas consegue, de fato, dar fim à própria vida.

Os dados, que para a psicóloga Daniela Reis e Silva podem estar subnotificados, são ainda mais estarrecedores em nível mundial: mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano, número que representa uma morte a cada 40 segundos, segundo o relatório sobre prevenção ao suicídio da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em 2015.

Dados da OMS

Países. Cerca de 75% dos casos de suicídios ocorrem em países de baixa e média rendas.

Local. O Brasil é o oitavo país com mais suicídios – 11.821 casos em 2012. A Índia ocupa o primeiro lugar, com 258 mil casos.

Guerras. Há mais mortes por suicídio do que por guerras e homicídio juntos.

Meios. Os métodos mais usados globalmente são uso de pesticidas, armas de fogo e enforcamento.

Marca. A cada suicídio, 20 pessoas são impactadas pelo resto de suas vidas.

Ferramenta pode ajudar na prevenção

O já conhecido poder de reação dos usuários nas redes sociais vai começar a ser usado também para tentar ajudar prevenir os casos de suicídio no Brasil e no mundo.

O Facebook, em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), começou a disponibilizar nessa semana uma nova ferramenta que permite aos usuários emitirem sinais de alerta quando perceberem que um amigo publicou um conteúdo com tendência ao suicídio e permite que os amigos possam intervir.

Portanto, caso note um comportamento estranho, o usuário deverá denunciar a publicação entrando na opção “Acredito que não deveria estar no Facebook”, depois “Ver mais opções”, e em seguida “Mostra alguém se ferindo ou planejando se ferir”. Com a publicação denunciada, a rede social facilita o contato com o CVV e dá dicas do que fazer para se sentir melhor e oferecer ajuda. (LM)

 

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