O drible no futsal e no futebol: o que determina seu resultado?

Pesquisa analisou como a relação espaço-temporal entre atacante e defensor afeta o resultado do drible no futsal e no futebol.

O drible é um movimento desafiador e muito admirado em esportes como o futsal e o futebol. Nele, o jogador deve executar movimentos rápidos e precisos para enganar seu adversário e criar um espaço para ultrapassá-lo, sem perder o controle da bola. Trata-se de uma habilidade motora individual que exige bastante domínio e coordenação corporal, podendo deixar a equipe em vantagem e com grandes chances de alcançar o gol se for realizada com sucesso.

O drible exige muita concentração e agilidade tanto do atacante quanto do defensor. Imagem: Pexels/Alexander Nadrilyanski.

Uma pesquisa da EEFE, realizada pela Profa. Dra. Silvia Letícia Silva e pelo Prof. Dr. Umberto Cesar Corrêa, investigou a influência de informações espaço-temporais na execução do drible – tanto no futsal quanto no futebol. O objetivo foi compreender como as variáveis de tempo, distância e velocidade podem afetar as ações do atacante e do defensor, determinando o sucesso ou o fracasso do drible.

Após analisarem 27 dribles no futebol e 77 no futsal, os pesquisadores identificaram que os dribles no futsal têm maiores chances de sucesso quando o atacante está mais próximo do marcador e com maior velocidade. Por outro lado, no futebol, as variáveis espaço-temporais analisadas não influenciaram significativamente o resultado do drible. Esses achados indicam que, por serem esportes com características muito diferentes, pesquisas futuras sobre o futebol devem considerar outros fatores para compreender o que influencia o resultado do drible.

 

Medidas espaço-temporais e coleta de dados

Participaram do estudo 95 jogadores amadores, sendo: 59 da categoria sub-16 de futsal, que atuaram no Campeonato Municipal de Carapicuíba–SP, em 2020; e 36 da categoria sub-17 de futebol, que jogaram no Campeonato Brasileiro Nacional, no mesmo ano.

Pequenas diferenças nas medidas espaço-temporais podem mudar significativamente o resultado do drible. Imagem: Pexels/Jean-Daniel Francoeur.

Os pesquisadores utilizaram câmeras digitais para gravar as partidas dos dois esportes, considerando como amostra todos os dribles realizados: 27 no futebol e 77 no futsal. Os dribles foram definidos a partir do momento em que o jogador com posse da bola iniciou o primeiro movimento referente ao drible, encerrando-se na resposta do defensor.

Com os materiais em mãos, os pesquisadores analisaram medidas espaço-temporais de coordenação interpessoal entre o atacante e o defensor, buscando entender se elas influenciam na eficácia dos dribles. As variáveis foram: tempo relativo de movimento, deslocamento relativo, velocidade relativa e distância interpessoal.

Medidas de tempo, espaço e velocidade servem para entender a ordenação interpessoal da jogada. Imagem: Pexels/Franco Monsalvo.

Essas medidas espaço-temporais caracterizam e fundamentam a coordenação interpessoal, que refere-se à interação entre o jogador de ataque e defesa e a habilidade que eles possuem de antecipar e reagir às ações um do outro.

 

Diferenças nas relações espaço-temporais no futsal e no futebol

No futsal, os pesquisadores descobriram que a maioria dos dribles bem-sucedidos ocorreu quando os atacantes os executavam em alta velocidade e numa distância de, aproximadamente, 20 a 35 centímetros entre os jogadores.

A hipótese é que esses dribles bem-sucedidos se encaixam no modelo PRP (Período Refratário Psicológico). Nele, o jogador de ataque realiza um movimento para enganar o defensor e, logo em seguida, executa o movimento verdadeiro. Assim, altas velocidades e uma curta distância interpessoal podem impedir o defensor de captar todos os estímulos e identificar qual ação é verdadeira, dificultando sua reação para bloquear o drible.

Cada esporte deve ser analisado em sua individualidade quanto às medidas espaço-temporais. Imagem: Pexels/Laura Rincón.

Já no futebol, os testes mostraram que as variáveis analisadas não influenciaram significativamente o resultado dos dribles. Como esse esporte ocorre em um campo maior e com mais jogadores do que no futsal, os pesquisadores entenderam que as relações espaço-temporais funcionam de maneira diferente e o futebol precisa ser analisado em outras perspectivas.

Com base nos resultados, os pesquisadores concluíram que as medidas de coordenação interpessoal influenciam o sucesso do drible no futsal, mas não no futebol. Para este último, os pesquisadores sugerem que estudos futuros investiguem outras variáveis para compreender o que determina o resultado de um drible.

O artigo, intitulado “The attacker-defender’s spatiotemporal relationship affects the dribbling outcome in futsal but not in soccer”, está disponível na íntegra clicando aqui.

 
 
 

 

Editoria: 
Texto: 
Livia Borges
Estagiária sob Supervisão de Paula Bassi
Seção de Relações Institucionais e Comunicação

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