Perda de massa corporal na hipertensão pulmonar pode ser prevenida com exercício físico

A hipertensão pulmonar como síndrome crônica é caracterizada por uma elevação da pressão interna das artérias pulmonares acima de 25 mmHg em repouso e 30 mmHg durante o exercício físico. Trata-se da causa mais comum de insuficiência cardíaca direita, doença que leva ao comprometimento estrutural e/ou funcional que afeta a capacidade de enchimento e ejeção do ventrículo direito.

Além do pulmão e do coração, outros órgãos e tecidos também são afetados pela doença, como o músculo esquelético. A perda de massa muscular pode causar intolerância ao esforço físico e caquexia, que é a perda excessiva e involuntária de massa corporal óssea, gorda e muscular. Em doenças crônicas, esses fatores estão diretamente relacionados ao mau prognóstico dos pacientes. 

Para atenuar essa perda de massa muscular, o exercício físico é prescrito como adjuvante no tratamento da hipertensão pulmonar. Porém, pouco se sabe sobre a fase da doença em que o quadro de miopatia esquelética e a intolerância ao esforço se estabelecem e quais as estratégias mais eficientes para minimizar essa perda. Buscando a melhor compreensão desses fatores, a mestre pela EEFE-USP Janaína Silva Vieira, orientada pela docente Patrícia Chakur Brum, desenvolveu pesquisa com modelos animais no Laboratório de Fisiologia Celular e Molecular do Exercício da EEFE-USP. 


Gráfico referente ao artigo

Primeiramente, o experimento buscou determinar em que fase da doença os sintomas de perda de massa muscular se estabelecem. Para isso, a pesquisadora acompanhou a evolução da hipertensão pulmonar induzida em camundongos por quatro meses. Ela explica que “nos momentos mais avançados da síndrome, com tecido pulmonar e cardíaco comprometidos, os animais passavam a apresentar também intolerância ao esforço físico e atrofia do músculo esquelético”.

O treinamento físico foi então introduzido como estratégia preventiva para as alterações musculares, um método ainda pouco adotado no tratamento da doença. Os animais foram, assim, divididos em grupos sedentários e treinados. Estes últimos foram submetidos a  treinamento físico aeróbio em esteira durante as últimas quatro semanas de indução de hipertensão pulmonar com monocrotalina, entre o terceiro e quarto mês.


A pesquisadora Janaína Silva Vieira no Laboratório de Fisiologia Celular e Molecular do Exercício

Como resultado, o protocolo de exercício reverteu a disfunção e o remodelamento cardíaco do ventrículo esquerdo, diminuindo a intolerância ao exercício e a atrofia do músculo esquelético. Desta forma, o estudo sugere que o treinamento físico aeróbico pode ser uma estratégia preventiva para alterações no músculo esquelético e cardíaco induzidas pela hipertensão pulmonar.

“O nosso próximo passo é demonstrar os mecanismos pelos quais o treinamento físico aeróbico previne a atrofia e disfunção muscular esquelética na hipertensão pulmonar, mais especificamente, avaliar qual o papel das células satélites nesse processo”, explica a pesquisadora. O estudo foi publicado na revista Life Sciences, e pode ser acessado por meio do seguinte link: https://doi.org/10.1016/j.lfs.2020.118298